sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025
Contudo, mesmo sem nada
quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025
Uma ferida que dói, não por fora, por dentro
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025
Foi logro aceite quando nos fodemos
terça-feira, 25 de fevereiro de 2025
Uma prece silenciosa, tal qual fazem os sonhadores
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025
Nessa mão onde cabia perfeito o meu coração
domingo, 23 de fevereiro de 2025
Majestosa, imperial : uma ponte de suspiros
sábado, 22 de fevereiro de 2025
De tanto bater o meu coração parou
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025
Quando me embebedo, tu levas-me para casa, e manténs-me a salvo do perigo
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025
E estas são apenas algumas das muitas coisas que eu não consigo sequer dizer em voz alta
terça-feira, 18 de fevereiro de 2025
Tu não acreditas em mim, mas fazes sempre a mesma coisa
Sinto-me tão sozinho, sabes? E eu lido bem com a minha solidão, é algo que sempre me acompanhou, afinal tenho passado grande parte da minha vida sozinho. Há alturas em que a minha solidão me é largamente indiferente, ao ponto de não a sentir ou então ser capaz de a ignorar. Há outras em que sinto esta solidão a engolir-me. Nos piores momentos dessa solidão, é quando bebo até apagar - mas já não bebo desde sexta passada, menos mal - ou quando cedo por completo á procrastinação. Fico imóvel, desmotivado, incapaz. São nestes momentos em que vêm á tona as memórias. As memórias, e as dúvidas. Sabes, antes de nos termos reencontrado o ano passado não tive opção alguma senão acreditar no que me disseste quando foste, que tinha sido tudo um equívoco. Sempre me fez sentido, por muito que me doesse. Não teria sido a primeira vez, e não foi a última, mas esta foi a que deixou uma marca em mim. Remeti-te a uma parte da minha memória que mais se assemelhava a um sonho : imaginei por vezes que tinha sonhado com uma versão de nós que existia numa realidade paralela, e tudo me pareceu tão real, que eu caí na rede dessa ilusão. De vez em quando vinhas-me á cabeça, e sim, de vez em quando procurava por ti. Eu contei-te aquele sonho que costumava ter há uns anos atrás, que te tinhas mudado para o meu prédio. Acho que o deixei de ter quando descobri que ias ter um bébé. Foi nesse momento em que finalmente me apercebi que a história tinha terminado, embora já tivesse terminado anos antes. Mas as dúvidas, sabes? Eu ainda as tenho. Eu não duvido do meu amor por ti. Se o fizesse, porque estaria a escrever sobre ti passados todos estes anos? É falha da minha natureza, não consigo esquecer. Quem me dera poder esquecer facilmente. Em tempos questionei-me se me submeteria a uma limpeza da memória tipo no 'Eternal Sunshine of the Spotless Mind', mas não. Eu não quereria nunca esquecer-te. Eu nunca o conseguiria fazer. Seria quase como me esquecer como respirar. Ter-mo-nos encontrado... não sei, não me amenizou as dúvidas. De certo modo, fico com a sensação que não passo de um padrão, não chego a ser sequer uma pessoa real. Há uma parte de mim que pensa na maneira como fodíamos, e tudo aquilo que me disseste que não voltaste a fazer, e pensa que o fizeste comigo porque me amavas. Se calhar apenas te soube bem comigo, se calhar apenas te fez sentido comigo. Da mesma maneira, beijar um corpo, sentir um corpo, devorar um corpo, como eu fiz com o teu, também apenas fez sentido contigo. Se calhar era também uma forma de eu manifestar o meu amor por ti. Ouve, eu - e depois de ti - raramente andei de mão dada com alguém. Quando o fazia era estranho, por vezes dava por mim a olhar para a mão que estava na minha e parecia-me algo alienígeno. Eu não gostava dessas coisas por aí além antes de ti, e continuei a não ser apreciador depois, mas contigo era tudo o que eu queria, a proximidade de ti.
Quando estive numa relação que era maioritariamente sexual com a Isabel, e embora eu soubesse que da parte dela existiam sentimentos, eu fugi sempre aos momentos de 'namoro'. Ela gostava de ficar sentada no sofá comigo aos beijos, eu não. Eu gostava de te estar a beijar a ti, e não a ela. Eu nunca adormeci sóbrio com ela - as nossas noites eram sempre bem regadas, antes da carne vir ao de cima. Mas não era com quem eu queria estar deitado. É estúpido, e estranho, mas não passei uma única noite com outra pessoa em que tivesse sentido á vontade. Tantas vezes me vinha um pedaço da primeira manhã em que acordámos juntos, em que me disseste que tinhas tido dificuldades em dormir por causa das vibrações que o metro que passa aqui por baixo faz. Eu, naturalmente, há muito que não as sinto, e teres-me dito que elas existiam e as sentiste, foi para mim uma novidade. Ah, e como quis que todas as nossas noites de aí em diante fossem boas noites para ti! Mas não tivemos muitas, pois não? Acabaram por não ser assim tantas quanto isso. Mas tivemos algumas manhãs, sim. Aquelas em que te ia esperar á estação do comboio, aquelas de onde no meio daquele oceano de pessoas que ali desovava, eu te via a vir na minha direcção, e o meu coração se enchia de felicidade e os meus olhos de luz. Essas manhãs, essas lendárias manhãs. Muito fodemos aqui no meu quarto, tentando não fazer muito barulho. E depois, quando tínhamos sorte, tínhamos talvez um par de horas onde podíamos estar juntos no escuro, os nossos corpos tão próximos um do outro que nos tornávamos um só. E isso não aconteceu com mais ninguém... não quis, não me sentia confortável. Uma moça com quem fui para a cama há já uns anos convenceu-me a passar um fim de semana com ela. Eu quis ir-me embora minutos depois de ter ido ter com ela, mas acabei por ficar. Não surpreendentemente, mais sexo mau, e isso nem foi o pior de tudo. Ela insistiu que dormisse com ela, mas havia tal distância entre nós na cama dela, que a dada altura da noite ela acordou-me e pediu-me para a abraçar. Como lhe podia dizer que não o queria fazer? Fui um cobarde, e fi-lo por uma questão de cortesia. Eu queria abraçar-te. A ti. Para sempre, mundo sem fim.
E as dúvidas trazem mais questões. Eu pergunto-me se te quero ainda. Eu sei que te amo, eu sei que te desejo, mas será que ainda te quero? A verdade é que nos tornámos pessoas que não se conhecem. Não sabemos muito um sobre o outro, se calhar mudámos demasiado, ou então não o suficiente. Não sei. Eu sei que não quero estar com mais ninguém. Estou farto, estou cansado, nunca é satisfatório. Nada trouxe o que em tempos tivemos. O que eu sei é que o que eu gostaria era que tivéssemos tido estes 12 anos que passaram juntos. Quem me dera, sabes? Teria sido um prazer e um privilégio passar o resto dos meus dias contigo. Por vezes... por vezes dou por mim a sentir que o meu coração irá ceder uma destas noites, e deixarei de estar aqui. Espero que não me procures nunca, Sofia. Mereces estar onde estás, com quem estás, e ter o que tens. Não te devo ter contado isto, mas quando deixámos de falar em Janeiro, e após ter mudado de número, apaguei o teu número, o teu email, tudo. Não posso ter a tentação de te incomodar. E sabes, ainda que da última vez que estivemos juntos eu tivesse ido para casa com o coração dilacerado, porque não conseguiste olhar para mim sequer, e porque senti profundamente que não gostavas mesmo de mim, morrerei com a mágoa de não te ter olhado nos olhos, e de ter beijado como só a ti beijei, uma vez mais, uma última vez, e dizer-te que te amo com tudo o que sou.
As florestas choram, pois as suas árvores estão a arder
Esta noite quando fui para a cama tinha uma vontade imensa de sonhar contigo. Apetecia-me ouvir a tua voz uma vez mais. Mais do que tudo, apenas ouvir a tua voz, eu e tu, na penumbra, abraçados. Mas, e para variar, tive sonhos esquisitos. Um deles, um sonho semi recorrente, dá por mim a caminho de um hipermercado gigantesco, mas mesmo gigante - pensa numa cena tipo Continente mas do tamanho do Colombo. E eu ou estou a caminho de lá para ir comprar algo ou ás vezes para ir trabalhar, e o sonho é a angústia de ter de fazer uma viagem enorme e sentir que vou chegar atrasado - algo que inevitavelmente acontece. Ou não chego a tempo de apanhar aquilo aberto, ou chego atrasado para o trabalho, e curiosamente - é sempre de noite. E mesmo lá dentro da estrutura é mal iluminado, e tudo parece meio inacabado. Na realidade, tudo parece passar-se numa espécie de Lisboa pós-apocalíptica, mas é claro que não é Lisboa alguma que exista, é uma manta de retalhos feita de cidades várias, algumas que existem e outras que nem por isso são reais. Não sei que sequência teve o sonho, nem sequer me recordo se o sonho seguinte é continuação da narrativa do outro, mas sei que no sonho que tive a seguir estou a receber uma mensagem da minha irmã a dizer que o nosso pai tinha tido um ataque de coração que o tinha deixado altamente debilitado, sem conseguir usar o braço esquerdo. Na vida real não o vejo há já muitos anos, nem estou interessado em vê-lo, mas no sonho algo me levou a querer ir visitá-lo. Curiosamente, estaria internado não muito longe aqui de minha casa, numa clínica / casa de repouso que talvez exista ou não algures na Gago Coutinho. Na companhia da minha irmã, fomos até lá para o ver, mas fiquei surpreso quando o vi - ele estava em pé, com a vitalidade que lhe conhecia de quando era miúdo, lá estava ele, o tipo que nunca gostei, e que de vez em quando vejo no meu espelho, algo que me dá nós no estômago. Mas á medida que me aproximo, essa vitalidade parece desvanecer. A idade toma conta dele, o braço esquerdo mirra, ele próprio tomba com o peso de tudo. Fico a olhar para uma carcaça que rapidamente apodrece. Acordo não muito depois.
Acordo na minha cama, faltam ainda umas horas para ter de me preocupar com o trabalho. Deixo-me ficar na cama, com a cabeça perdida em pensamentos, a luz do dia a entrar pelo quarto adentro, filtrada pelas frestas da janela. Tento não pensar em ti. Tento. Sabes que não consigo. Ainda aqui estás, de certo modo ainda aqui estás. Recosto-me na cama, e pego no tablet para ver o que havia de novo. Notificações várias, leio algumas notícias, vejo os emails que recebi - só lixo. Ainda agora acordei e já estou farto. Decido vir aqui para reler o que escrevi. Não gosto de o fazer, sinto sempre a tentação de mudar o que escrevi, ou de editar algo, por vezes adiciono coisas, muito raramente removo. Mas já o fiz, admito. Não me chateia o que escrevi, e dou por mim a sentir uma erecção formar-se. Vou-me masturbar (ceús, como detesto escrever esta palavra, mas detesto ainda mais 'bater uma', go figure), e sei que vou pensar em ti, sei que vou pensar nas fodas que demos, mas acontece o que ultimamente tem acontecido mais frequentemente que não : perco a tesão. Nada de mais, não me incomoda, e mesmo das vezes em que consigo terminar raramente me sabe bem. Tantas vezes acabo apenas com os rins a doer. Deito-me de novo, desconfortável, e lembro-me de te ter pedido em casamento aqui, em tempos, e de tu teres dito que sim. Lembro-me, de mais tarde, teres sido tu a pedir-me em casamento, já depois de teres ido e brevemente teres voltado. Acreditas que me dei ao luxo que tinhas mesmo voltado? Eu sou tão, mas tão estúpido. Ainda deitado, penso em primeiras vezes. Lembro-me tão bem da nossa primeira vez, e de algo que disse depois e que não escreverei aqui. Há limites que não ultrapassarei. E a nossa última vez? Apenas deus sabe. Mas lembro-me também e tão bem do nosso primeiro beijo, assim como me lembro do nosso último. Como posso voltar a esses sítios e não ver ecos de nós, a multiplicarem-se por uma eternidade de eternidades, menos na nossa vida? Ao pensar nisto tudo, lembro-me da primeira vez que te fodi o cú. Acho que nos apanhou todos de surpresa, estava convicto que não seria algo que faríamos - e eu estava ok com isso - mas sabes, estes dedos, estes dedos que percorreram todos os teus orifícios, todo o teu corpo, caramba, estes dedos deram por eles dentro de ti e quando te perguntei se o podia enfiar e disseste que sim, jesus, o que nasceu nesse momento. É claro que depois divaguei um bocado no pensamento. Lembrei-me da primeira vez que fiz sexo anal com uma mulher - foi com a Sara, em 2003. Não foi a primeira com quem o pude fazer, uns meses antes quando estava com a Cláudia ela disse que podíamos fazer, que gostava, mas caralhos me fodam, a minha mente romântica levou-me a dizer que ficava para a próxima vez, algo que nunca aconteceu. Mas quando eu e a Sara o fizemos, eh... não achei nada de brilhante, ela gostava, dava-lhe prazer, mas para mim não estava a ser nada por aí além. Só passei a apreciar passado uns anos, e mesmo assim era uma coisa relativamente pontual. E depois nós, olha, que hei-de dizer? Tudo foi tão bom contigo, caramba. Tudo. Não só foi bom, foi o melhor da minha vida. Deus sabe com quantas mulheres estive depois de ti; dessas todas apenas numa instância o sexo quase chegou ao nosso nível, mas faltava tudo o resto que tínhamos e que tornava tudo tão melhor. E há aqui uma tragédia, uma puta de uma tragédia, que é a pessoa que se seguiu a ti - a psicopata da Tracy - foi em tudo o pior da minha vida. Em tudo. Que pontaria de merda tive eu. É que nem o sexo era bom, não era minimamente agradável sequer. Sempre me senti meio sujo por foder com ela - e felizmente foram pouquíssimas as vezes. Era 'engraçada', a minha vida nessa altura. Era raro o dia em que não recebia uma mensagem anónima no facebook a perguntar-me como eu me sentia por saber que ela e o 'Paulinho tinham fodido forte e feio', e raios me partam, porque é que eu sou tão avassaladoramente estúpido? Não só deixei-me ficar nesta história demasiado tempo, como anos mais tarde ainda dava por mim a ir cumprimentar esse tal Paulo, como se ele fosse meu querido amigo, e nunca entendi porque o fazia - antipatizei com ele desde o primeiro momento que o conheci, e o meu instinto provou que estava certo. Será apenas falta de amor próprio? Ou pura estupidez? Já não sei. E felizmente já não tenho desses trastes na minha vida.
domingo, 16 de fevereiro de 2025
Uma silhueta ausente
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025
São voltas, ai amor, são voltas
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025
Um dedo ao olhar, ao olhar que te amo
terça-feira, 11 de fevereiro de 2025
O oceano numa concha
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025
Os dias vão sem te levar
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025
Pelo tamanho das ondas conto não voltar
domingo, 2 de fevereiro de 2025
De um adeus que não se encontra
Hoje bebi. Não muito, não demasiado, mas bebi. E não soube bem… aliás, raramente sabe. Mas e daí não soube mal, e essas são sempre as piores vezes. São sempre as vezes que sei que no dia seguinte irei acordar completamente destruído. Mas hoje bebi não porque pensei em ti, Sofia, porque na realidade não pensei em ti, nem sequer sonhei contigo. Mas na noite anterior tinha sonhado que tinha morrido - não é a primeira vez que tal me acontece, mas desta vez foi tudo tão demasiado real.
Sabes, nesta última década, caramba, mais que isso, mas nestes anos todos eu fui tantas vezes para a cama a rezar para não voltar a acordar. Rezava para que algo me levasse durante o sono e no meu âmago imaginava como seria a reacção da minha família quando me encontrassem morto na cama, e quem iria ao meu funeral. Tantas vezes pensei que havia tantas pessoas boas a serem levadas cedo demais por cancros e outras doenças, e eu todavia ia passando pelos pingos da chuva, e porquê eu? Meu deus, eu, que não faço aqui nada e que nem sirvo propósito algum nesta vida, porque raios eu continuo a viver?
No meu sonho tinha-me sido diagnosticado um cancro, e era algo maligno, inoperável, e tinha muito pouco tempo de vida. Dias, talvez menos que isso, e o meu sonho foi sobre os meus últimos instantes aqui. Não sofri, não foi uma coisa protelada, e recordo-me vivamente do momento no meu sonho em que respirei pela última vez. O meu último fôlego foi um inaudível ’amo-te’. Eu não sei se foi para ti, ou se foi para tudo o que deixava para trás, de uma forma generalizada, mas é claro que no fundo, no fundo, terá sido sempre para ti. Eu digo - a mim mesmo - que te amo N vezes por dia. Não que precise de me convencer disso, nem porque pense que de alguma maneira o irás perceber, mas porque foram sempre as palavras mais bonitas e sentidas que alguma vez te disse, e sim - quando mo dizias enchias o meu coração com vida e luz. Vou continuar a beber, não fui forte e há pouco fui á rua e comprei mais álcool. Hoje terei bebido o suficiente para não tarda apagar por completo. Eu não quero pensar em ti hoje, não quero sequer sonhar contigo. Mas cá no fundo eu sei que aquilo que mais desejo é que me visites nos meus sonhos. Eu sempre adorei a tua voz, e embora eu saiba que tu não gostas dela - tal como eu não gosto da minha - quem me dera ouvir-te de novo. Quem me dera estar deitado contigo de novo, os nossos corpos nús, as minhas mãos nas tuas mamas, e tu a puxar o meu caralho para dentro de ti. Raios, pá, ainda és tu a pessoa que mais puxa por mim nesse campo. Fala comigo. Pede-me. Vem-te. És tudo o que eu quero. Serás sempre tudo o que eu quero.