quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

Um dedo ao olhar, ao olhar que te amo

O pior desta coisa toda é que quanto mais escrevo sobre ti, mais penso em ti, mais memórias me vêm á cabeça. Sabes, existe um Gonçalo antes de ti, um Gonçalo do qual não me orgulho, e que não voltei a ser. Era o Gonçalo que tinha uma dificuldade extrema em ser fiel fosse a quem fosse, e isso levou-me a provocar uma dor imensa a alguém que em tempos amei. E dei por mim a pensar em uma das muitas alminhas com quem me envolvi nessa altura, alguém em quem já não pensava há muito tempo. Quero dizer até que quase não me lembrava dela, e não estaria longe da verdade. Foi vasto o rasto de merda que andei a fazer, e nenhuma delas valeu a pena a miséria que causei. É uma mancha na minha alma que nunca me livrarei.
Mas a Ana Palma... que miúda estranha. No bom sentido, claro. Não me lembro já como a terei conhecido, mas imagino que foi numa nas minhas noites de som no bairro. Eu sei que ela era amiga de uma outra moça que conhecia através de um dos meus primeiros blogs, mas seja como for não estive com ela mais que um par de vezes. A primeira terá sido quando a conheci - lembro-me de depois estarmos aos beijos no Cais do Sodré. Depois fui uma vez ter com ela a Santarém, onde ela morava, e no fim acabámos em casa dela. Ou melhor, na casa dos pais dela, onde ela vivia com a família. E isto foi super bizarro para mim, deixou-me altamente desconfortável, e não sei se por isso, mas o sexo foi relativamente merdoso. Honestamente, dessa litania de corpos diria que não mais que umas duas pessoas fizeram o click comigo nesse campo. Mas com a Ana Palma não foi bom, e quando de manhã acordámos e ela me disse para descermos - era numa moradia em que viviam, e o quarto dela era no piso de cima - para tomarmos o pequeno almoço na cozinha, garanto que fiquei mortificado quando dei de caras com a família toda. Santo Cristo, não havia buraco algum onde me pudesse enfiar... fui cordial o suficiente para que tudo aquilo passasse o mais rápido possível, só queria meter-me a caminho de casa o quanto antes.
E que tem isto de relevante, perguntas tu? Porque esta moça era parecida contigo, e foi o pensar em ti que me levou a pensar nela. Eu estava a pensar o quanto gostava de foder contigo, e dei por mim a pensar que não houve assim tantas pessoas com quem tenha estado que a) o quisesse fazer mais que uma vez e que b) tenha sido bom sequer. A verdade é que muito do sexo que tive foi mau, e ao tentar-me lembrar de pessoas que me tenham dado uma boa experiência, apenas me vieram uma torrente de pessoas que preferia nunca ter conhecido, quanto mais ter fodido com elas. 
Não me recordo se foi na primeira vez que tivemos sexo que te disse que não sabia fazer amor, apenas sabia foder. A cena do 'fazer amor' sempre teve uma conotação aborrecida para mim, pensava que era uma cena com velinhas e olhos nos olhos, e um tipo em cima da mulher a penetrá-la lentamente, enquanto ela exclama 'oh!' com cada lenta estocada. Talvez por isso nunca tenha feito amor, excepto por uma única ocasião. Também essa nossa primeira vez não foi foder - não ainda. Se calhar foi nessa vez que te disse tudo aquilo que gostava de fazer, que era exactamente aquilo que não gostavas, mas que depois passámos a fazer todos os dias. Outra coisa que de vez em quando me lembro foi teres-me dito que durante o sexo não havia 'amo-te' para ninguém - e raios, tantas vezes o quis dizer. Enfim, tive de me contentar com dizer que te amo em todos os outros contextos. 

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