sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

São voltas, ai amor, são voltas

O dia dos namorados... caralho, quem me dera ter nascido uma pessoa normal, que toma as decisões normais, e vive uma vida normal, e tem as coisas normais. Como o quis - e em breve contar-te-ei aqui uma história sobre os sonhos que tive para nós - mas não... nasci assim, falho de qualquer coisa minimamente produtiva. Não fiz nada por mim, tomei todas as decisões erradas que fizeram com que (quase) nada na minha vida fosse normal. Seja como for, chega de autocomiseração. Já fiz demasiado disso, já fiz a minha expiação, e aprendi a viver em paz com o que foi e como foi. Mas aquela parte romântica de mim sempre deu valor a este dia, embora não me consiga lembrar de muitas ocasiões em que o tenha comemorado.
Estupidamente, sempre fui daquelas pessoas que dava valor ás datas, que no meu âmago julgava ser importante que fossem celebradas. Dava valor a isso, sim, e não estou certo se estive com alguém que desse o mesmo valor. Na realidade, creio que as pessoas com quem estive eram demasiado prácticas para se preocuparem com este tipo de merdas. Mas o Gonçalo na sua ingenuidade secretamente desejava que estes dias pudessem ser celebrados. Recordo-me de uma única vez o ter tentado celebrar com a Sílvia, deve ter sido em 2009 quando estávamos em Londres, e muito relutantemente ela aceitou que eu a deixasse levar a jantar fora. Tinha em mente levá-la a jantar no Tiger Tiger, mas - e porque isto foi mesmo em cima do joelho - quando lá chegámos barraram-nos á porta porque não tínhamos feito uma reserva, e naturalmente, tudo quanto era casalinho feliz já tinha feito atempadamente as suas reservas. Andámos de restaurante em restaurante a ver se encontrávamos algum que estivesse livre, mas só em Chinatown encontrámos um chinês meio manhoso. Não me recordo já o que terá despoletado, mas essa noite depois originou a mais um protelado período de silêncio entre nós - era assim que 'discutíamos'. Talvez tenha sido aí que começou a morrer em mim essa parte que dava valor a essas coisas, de tal modo que apenas por uma vez mais na minha vida - garantidamente a última - eu quis que esse dia tivesse algum valor. 
E é aqui que a minha memória me atraiçoa. Há muitas coisas que me lembro muito bem, como se tivessem acontecido recentemente. Outras... não sei, parece que aconteceram há vidas atrás, ou então que aconteceram a outra pessoa, e eu vi o filme da vida dessa pessoa, e de certo modo identifiquei-me com o que via nesse 'filme'. Mas quero dizer - embora possa estar errado - que nesse dia te ofereci um anel da Pandora, que escolheste no Vasco da Gama. Terá sido? Eu acho que sim, todavia fica em mim a ideia que terá havido mais do que uma compra na Pandora. Já não sei, lembro-me certamente dessa ocasião no Vasco da Gama. 
Esta coisa de haver momentos do que tivemos em que parece que aconteceram a outra pessoa é estranha. Há uns anos atrás passei por um café, algures na baixa, onde uma vez tomámos pequeno almoço os três, e se é verdade que na minha cabeça ainda te via ali, com o menino, eu a mim não me via ali convosco. Senti que poderia ter sido um outro tipo qualquer que não eu. Mas paralelamente a isso, há outras circunstâncias em que não te consigo imaginar com outra pessoa que não comigo. Aí há uns 10 anos atrás, um dos desastres com quem me envolvi para tentar acalmar a dor de não te ter era uma moça chamada Lia. Esta jovem tinha umas pancas do caralho, por mais que uma vez pediu-me para lhe bater, e para ser bruto com ela, 'finge que me estás a violar', dizia ela. E eu disse-lhe que não gosto dessas coisas. Sim, sou mais do sexo hardcore do que do fofinho, mas cenas kinky sado-maso... epá, não, lamento, não é para mim. Façam o que quiserem se gostarem dessas merdas, mas não comigo. Seja como for, uma vez fomos foder naquela pensão onde tu e eu fomos montes de vezes - que, se calhar, até nem foram tantas vezes assim - e fomos para um quarto onde tu e eu tínhamos estado, numa daquelas sessões de foda que nós tínhamos, e de algum modo senti que não o terias feito com outra pessoa que não eu. E não sei o que me levou a pensar nisso, foi apenas uma sensação. Caramba, o que fodemos ali, tu e eu. Trocaria de bom grado tudo o que veio depois por mais um momento contigo. Será que alguma vez imaginámos que a última vez que fodemos... seria mesmo a última vez?



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