segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

Pelo tamanho das ondas conto não voltar

Olho para mim ao espelho e vejo-me cinzento. A minha expressão é cinzenta, o meu corpo é cinzento, a minha pila - pequena e mirrada - é cinzenta. Não sei se é da bebida, não sei se é da vida, não sei se é das escolhas que fiz...sou um tipo cinzento. Este corpo, gordo, inchado, distorcido, tão longe do corpo que em tempos tive. Tu não gostarias deste corpo, Sofia. Ninguém gostaria. E não faz mal, faz parte do processo de me sentir em paz comigo mesmo. É isto que tenho, é isto que sou, e sempre soube que era manifestamente insuficiente. O homem cinzento - é quem eu sou. Disforme, inadequado, cansado. Pff, eu sinto-me exausto de mim mesmo. Estou tão farto de ser eu. Tão, tão farto. Queres ser eu quando cá não estiver?
Sabes, hoje continuei a beber. Não demasiado - acho que descobri aquilo que é demasiado para mim, e embora de vez em quando me saiba bem passar esses limites, não o consigo fazer consistentemente já. E ainda bem. As vezes em que abusei a semana passada ainda estão a ter sequelas no meu corpo.
Penso em ti, sabes? É de todo impossível para mim não o fazer. Daqui de onde escrevo é o mesmo sítio onde fodemos pela primeira vez, nessa noite em que vindos de uma discoteca eu te disse que não sabia se gostavas de mim dessa maneira, e onde, já neste quarto, eu enfiei os meus dedos pela tua cona acima pela primeira vez, te disse que precisava de estar dentro de ti, e a tua resposta foi um 'sim' que para mim foi tudo.
É o terceiro post que aqui escrevo, e dou por mim a falar em foder contigo de novo. Não consigo explicar. Havia uma alquimia entre os nossos corpos que não voltei a sentir. Que não voltarei a sentir. Foi tudo tão bom. Foi tudo tão curto. Merecias que eu tivesse sido um homem á tua altura. Merecias melhor, e encontraste melhor. E eu viverei sempre com o amor que sinto por ti, Sofia, esteja aqui quanto tempo estiver. Não te consigo escapar. Não te consigo fugir. Amo-te mais do que a minha própria vida.

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