Não eram ainda seis da manhã e já despertava. Deixei-me ficar na cama ainda um par de horas, até á fria luz da manhã começar a entrar pelo quarto adentro. Fitei o teto, revirei e rebolei na cama, pensei em ti, vim-me, limpei a peganhenta nheca que me tinha ido parar á barriga. Queria voltar a dormir, precisava de mais algumas horas de sono, mas nada a fazer. Nada a fazer. Levantei-me da cama, sentei-me no rebordo da cama, e um dos meus gatos olhava para mim com curiosidade. Acordei com uma ligeira dor de cabeça, e com fome. Tinha o sabor dos químicos na garganta, uma ressaca artificial que me estava a deixar mal disposto. Espreguiço-me, e sinto um cheiro desagradável no meu corpo. Não dei por ter suado durante a noite, nem me sinto suado sequer, mas se calhar os químicos afectaram-me a nível hormonal. Sinto o estômago a rugir por comida, mas o desconforto que sinto leva-me primeiro a tomar um duche. Coloco a água a correr, e imediatamente me lembro das vezes que tomámos banho juntos, deus meu, não imaginas o quanto adorei fazê-lo. Não tenho memória de alguma vez termos fodido no banho, e este pensamento traz-me uma inesperada tesão. Ainda lanço a mão ao caralho, mas rapidamente me sinto longe, fico mole num piscar de olhos. Por muito que pense em foder-te e em estar dentro da tua cona, não consigo continuar. Lavo-me num instante, e rapidamente estou de saída de casa para ir tomar o pequeno almoço.
Saio do prédio, e subo a rua em direcção á Cinderela, onde tu eu tomámos o pequeno almoço várias vezes. Lá dentro, sento-me, e pouco tempo depois estou a pedir o que vou querer. Incaracteristicamente para mim, dou por mim a pedir um café - mas não uma bica, um americano - e um copo de sumo de laranja. Preciso de algo que tire este sabor a químico que tenho na garganta, nem lavar os dentes o removeu por completo. Peço uma torrada, e infelizmente não têm a delícia de ananás que normalmente peço quando lá vou. Estou cansado, os músculos pesam-me, e bebo e como vagarosamente. O café ajuda a dissipar o mau sabor que tinha em mim, e a torrada sabe-me pela vida. Estás sentada á minha frente, um espectro com mais de uma década, e olho para ti enquanto tu comes também. Afogo-me nos teus olhos, e a tua mão aperta gentilmente a minha. Nesses momentos acreditei que iríamos estar juntos para sempre. E porque duvidaria eu? Eu sentia o teu amor, eu senti a tua vontade de mim e por mim. Para mim foi real. Para mim não foi um equívoco, nem uma ilusão. Nunca será.
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