domingo, 2 de fevereiro de 2025

De um adeus que não se encontra

Hoje bebi. Não muito, não demasiado, mas bebi. E não soube bem… aliás, raramente sabe. Mas e daí não soube mal, e essas são sempre as piores vezes. São sempre as vezes que sei que no dia seguinte irei acordar completamente destruído. Mas hoje bebi não porque pensei em ti, Sofia, porque na realidade não pensei em ti, nem sequer sonhei contigo. Mas na noite anterior tinha sonhado que tinha morrido - não é a primeira vez que tal me acontece, mas desta vez foi tudo tão demasiado real. 

Sabes, nesta última década, caramba, mais que isso, mas nestes anos todos eu fui tantas vezes para a cama a rezar para não voltar a acordar. Rezava para que algo me levasse durante o sono e no meu âmago imaginava como seria a reacção da minha família quando me encontrassem morto na cama, e quem iria ao meu funeral. Tantas vezes pensei que havia tantas pessoas boas a serem levadas cedo demais por cancros e outras doenças, e eu todavia ia passando pelos pingos da chuva, e porquê eu? Meu deus, eu, que não faço aqui nada e que nem sirvo propósito algum nesta vida, porque raios eu continuo a viver?

No meu sonho tinha-me sido diagnosticado um cancro, e era algo maligno, inoperável, e tinha muito pouco tempo de vida. Dias, talvez menos que isso, e o meu sonho foi sobre os meus últimos  instantes aqui. Não sofri, não foi uma coisa protelada, e recordo-me vivamente do momento no meu sonho em que respirei pela última vez. O meu último fôlego foi um inaudível ’amo-te’. Eu não sei se foi para ti, ou se foi para tudo o que deixava para trás, de uma forma generalizada, mas é claro que no fundo, no fundo, terá sido sempre para ti. Eu digo - a mim mesmo - que te amo N vezes por dia. Não que precise de me convencer disso, nem porque pense que de alguma maneira o irás perceber, mas porque foram sempre as palavras mais bonitas e sentidas que alguma vez te disse, e sim - quando mo dizias enchias o meu coração com vida e luz. Vou continuar a beber, não fui forte e há pouco fui á rua e comprei mais álcool. Hoje terei bebido o suficiente para não tarda apagar por completo. Eu não quero pensar em ti hoje, não quero sequer sonhar contigo. Mas cá no fundo eu sei que aquilo que mais desejo é que me visites nos meus sonhos. Eu sempre adorei a tua voz, e embora eu saiba que tu não gostas dela - tal como eu não gosto da minha - quem me dera ouvir-te de novo. Quem me dera estar deitado contigo de novo, os nossos corpos nús, as minhas mãos nas tuas mamas, e tu a puxar o meu caralho para dentro de ti. Raios, pá, ainda és tu a pessoa que mais puxa por mim nesse campo. Fala comigo. Pede-me. Vem-te. És tudo o que eu quero. Serás sempre tudo o que eu quero.

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