Mas o que eu depois fiquei a pensar - e penso nisso, de uma forma ou de outra, há uma série de anos - é, precisamente, se a frase imaginada ''Until Sophie I was never happy' seria factual. Eu já escrevi - aqui ou noutro blog - que pensar em ti era um luxo a que não me podia dar. Mas pensava, claro. Era difícil não pensar, mesmo quando me perdi num abismo de corpos, mesmo quando fodia outra pessoa e dava por mim a desejar que fosses tu. Mas pensava de uma maneira mais superficial. Não regressava muitas vezes ao tempo que tivemos juntos, nem ao que veio a seguir. Aí, tive de aprender a proteger-me, a defender-me. É claro que não o consegui fazer sempre - por vezes tive alturas em que a mente vagueava para esses pensamentos. Houve uma fase, mais a partir de 2017 em diante, em que esses pensamentos se tornavam mais frequentes. Talvez isso explique, em parte, porque decidi começar a silenciar as vozes na minha cabeça mergulhando em oceanos de veneno. O ano passado - e deve estar a fazer um ano desde que decidi contar a nossa história - foi a primeira vez que mergulhei tão profundamente nela. E confesso que debati comigo mesmo se era uma história que eu iria contar ou não - não por achar que não merecesse e devesse ser contada - mas porque eu sabia que me iria doer. E quase, quase, não a contei. Pelo menos não como a escrevi.
É verdade que escrever sobre nós convidou dor de volta á minha alma. E essa dor estava presente nas palavras que escrevi. Hoje teria escrito de uma maneira diferente, se o tivesse de fazer de novo. Mas considerei uma alternativa : em vez de contar a nossa história tal como ela foi, pensei em ficcionalizá-la, contar uma versão alternativa da história. E cheguei a escrever uma parte dela, mas cada vez me sabia pior estar a distorcer a verdade. Não estava a prestar um bom serviço, nem a mim, nem a ti, nem a nós. Sei que esta versão alternativa iria acabar com o mesmo destino final, com a mesma escolha, mas de uma maneira diferente. Nasceu de um pesadelo que tinha tido anos antes em que a nossa história tinha continuado mais um pouco, até ao dia em que nos iríamos casar, mas nunca apareceste. Então pensei em aproveitar esse pedaço para terminar a história que tinha em mente. Ainda bem que não o fiz, não teria sido justo, tal como não foi justa a maneira como depois escrevi. Em boa verdade, não imaginava o quanto me iria doer pensar em ti, e nos tempos que tivemos juntos. Ter de revisitar esses dias custou-me imensamente, causou-me um profundo lamento na alma. Um lamento por não ter o teu amor. Por não te ter. Por te ter perdido. Por nos termos perdido.
E pensei se realmente fui feliz contigo, ou se me teria enganado a mim mesmo, tal como me tinhas dito que tinhas feito. Considerei essa hipótese, naturalmente. Pensei se teria sido feliz contigo, nesses seis meses, e se sim se fui mais ao menos feliz do que noutras relações. E a verdade é que embora eu saiba que inevitavelmente houveram momentos de felicidade nas minhas outras relações, e aqui cinjo-me apenas àquelas que foram realmente relevantes, tenho de me perguntar se realmente fui feliz. Porque se pensar nelas... numa só me vem á cabeça resignação, e noutra só me vem á cabeça dor e sofrimento. E se pensar em nós, só me vem á cabeça felicidade.
'Until Sophie I was never happy', cantei eu hoje incontáveis vezes. And after Sophie I was never happy either.
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