terça-feira, 4 de março de 2025

Traz-me de volta á vida, nunca me deixes ir

Hoje de madrugada, estava eu na cama deitado, senti um arrepio na espinha. A noite estava fria, e aconcheguei-me ainda mais no édredon. Estava a ter um sonho esquisito, em que estava mascarado de Darth Vader, á espera de surpreender o Ian. Não me lembro já como, mas tinha adquirido um sabre de luz que funcionava, e aquilo tinha um botão que dava para mudar a luz da cor, e meti-a logo de vermelho. Tenho ideia que nessa altura no mundo real estaria a chover, porque no meu sonho também estava e parecia demasiado real para ser apenas um sonho. Seja como for, o Ian aparece em casa, estava chateado com qualquer coisa e nem sequer repara no meu disfarce. Passado algum tempo ele vai-se embora, e eu fico sozinho em casa (que não é a minha casa), e sabe-se lá porquê, dou comigo a falar contigo por mensagem no telemóvel. Tu dizes-me que não estás longe de mim, e ou vens ter comigo, ou eu vou ter contigo, já não sei bem, mas sei que nos encontramos algures que não é onde moro. É numa espécie de beco, onde estavas dentro de uma garagem, e estavas deitada numa espécie de futon. Por alguma razão, parecia pairar a ideia de alguma intimidade entre nós, e estavas a ver que filmes estavam no cinema, e eu perguntei se querias ir ver um filme. Após uns minutos em que estiveste a ver a lista de filmes, onde parecia que íamos mesmo combinar algo, o teu humor muda, e dizes-me que tens de te despachar. Começo a sentir, então, que onde tinhas de estar, para onde tinhas de ir, não era comigo. Estavas a vestir-te, e eu aproximei-me por trás, e coloquei as minhas mãos nos teu ombros, comecei a beijar-te as tuas costas, mas após um ou dois beijos, afastaste-me, como se o meu toque te provocasse revulsão. Depois de estares vestida saímos, mas não fomos juntos. Nem no meu sonho olhaste para mim. Nem no meu sonho gostas de mim.
Quando comecei a escrever no meu outro blog o ano passado, sabia que deixaria histórias por contar. Nem tudo é relevante, nem tudo merece o esforço de ser rebuscado e consagrado ao éter. E também é verdade que o Gonçalo que escreveu nesse blog - naquele formato - não é exactamente o mesmo que escreve aqui. Aqui sinto-me mais solto, o ano passado ainda estava agrilhoado a determinados formalismos. Mas já não estou, prefiro dizer o que tenho a dizer sem pudores, e se no outro sabia que havia quem me lia, neste, sabendo que cá ninguém vem parar, não tenho de me restringir. Houve um período entre o fim da minha relação com a Sónia - acho que em Março de 2016 ou algo assim - e o fim da minha 'relação' com a Carina em que não tive namorada, mas tinha companhia regular. Foi nessa altura que conheci a Isabel, mas a história que vou contar não tem nada a ver com ela. Não sei se terá sido no verão de 2016 ou no de 2017, mas houve um dia em que surgiu a oportunidade de fazer uma cena a três. Isto com duas moças com quem já tinha fodido antes, a Ana e a Lia, e algo levou a que um dia tivéssemos os três uma conversa sobre fazê-lo, todos concordámos, e depois foi só combinar o dia. Esta história, como tantas das minhas, vai ficar progressivamente mais escabrosa. Umas horas antes de nos encontrarmos, a Ana pergunta-me se a irmã dela pode ficar a ver. Eu pergunto-lhe se ela se vai juntar á festa, ela diz que acha que não mas nunca se sabe mas que gostava de ver. Eu pergunto á Lia se ela tem algum problema isso - e a Lia sendo a tal que gostava de cenas violentas não me choca quando diz que por ela tudo bem. Combino o resto com a Ana, vamos todos ter com a Lia a casa dela, bebemos um bocadito para ajudar a desinibir, a Lia tem mais algumas substâncias que ajudam, e passado um bocado estamos os três pelados, eu beijo-as, elas beijam-se, os meus dedos entram nas conas delas, elas comem-se, e eu... e eu não tenho tesão alguma. Olho para a cama onde elas estão divertidas, olho para baixo e não me mexo um centímetro que seja. Elas vêm ter comigo, ajoelham-se á minha frente, e vão ás vezes abocanhando a minha flácida pila. Nada. Nada. Não funciono. Não consigo. Apenas um pensamento na minha cabeça. Não quero nenhuma daquelas mulheres ajoelhada á minha frente. Quero-te a ti, só a ti, como tantas vezes estiveste. Tento pensar que és tu. Não dá. Não consigo. Nada, a minha pila não passa de um amendoim inchado sem qualquer capacidade. Eu não tenho tesão, as miúdas deixam de ter interesse seja no que for, apenas deus sabe o que a irmã da outra ficou a pensar de mim... e todavia a noite acabou comigo a jantar com as irmãs num restaurante chinês como se nada tivesse acontecido.
Durante bastante tempo depois desse momento pensei, 'Não era esta a minha fantasia, caralho? Não queria eu foder duas gajas ao mesmo tempo?', e depois apercebi-me que não, não era essa a minha fantasia. Talvez a de puto, admito. Mas desde que te conheci que a minha fantasia era passar o resto dos meus dias contigo. Adormecer ao teu lado todas as noites. Envelhecer ao teu lado. Fazer tudo contigo, crescer contigo, ser contigo, ter contigo. Era essa a única fantasia. Perdoa-me se isto não é terrivelmente moderno da minha parte, mas não acredito nessas cenas de se amar várias pessoas. Pelo menos para mim isso é uma anátema para o meu coração. E seria incapaz de te partilhar fosse com quem fosse - creio até que to disse várias vezes. A minha fantasia eras tu. Só tu. Tu e eu, juntos, indivisíveis, a fazer com que as coisas funcionassem, de uma vez por todas, sempre e para sempre, mundo sem fim.

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