Quando comecei a escrever sobre nós o ano passado, soube de imediato que a história da Sara seria complicada de... contar? Não. De racionalizar, talvez. Só muito á última da hora optei por contá-la, e desde então que eu próprio ando a tentar entender o que me levou a trair-te. Não consigo, ainda agora, estar 100% certo do porquê. Especulo, questiono, mas fico na mesma. Eu sei que ainda não tínhamos começado a nossa vida sexual, estaria eu tão desesperado por cona que me tive de enfiar numa mal surgiu a oportunidade? Mas também acho que não foi por isso. Não sei. Não sei. Eu sei que me sentia atraído por ela, e já a conhecia desde 2010 ou 2011, algo assim. Já éramos 'amigos' online há algum tempo, e falávamos bastante, mas nunca houve grande chance de nos cruzarmos. Foi antes do verão em que nos conhecemos que estive com ela pela primeira vez, não me recordo se fodemos logo nessa primeira noite, talvez tenha sido na segunda vez apenas. Mas sei que eu e ela já tínhamos fodido uma vez antes de tu e eu nos conhecermos, e tínhamos os dois chegado a acordo que seria apenas por sexo que estaríamos juntos. Eu não queria estar numa relação nessa altura, ela tinha as suas razões para não poder estar, e pareceu ser uma boa opção para nós. Só que aconteceu uma coisa estranha : na primeira vez que fomos para a cama, eu depois fiquei a dormir com ela, e foi aquela coisa fofinha de dormirmos agarrados um ao outro, e depois acordarmos a olhar um para o outro, e estarmos aos beijinhos e ás festinhas, e depois a Sara diz algo absolutamente verdadeiro : 'Isto não era suposto estar a acontecer.', e eu concordei com o que ela disse. Devíamos ter dado a nossa foda, de manhã cada um ia para seu lado, e se quiséssemos foder de novo, logo se combinaria. Não era suposto estarmos juntinhos, abraçados, como se fôssemos namorados. Eu creio que depois disso houve alguma distância entre nós, eu estava a planear a minha ida a Zurique para - pensava eu - dar as fodas da minha vida. E depois... depois tu. Estamos juntos, eu vou á Suiça, mas em vez de ir foder com a Ana acabo por passar uma semana ou perto disso em casa do Hugo, a comer bombocas e a beber minis, tu e eu falamos o dia todo, todos os dias, eu estou perdido por ti, ansioso por ti, ansioso por perder-me em ti, ansioso por finalmente, finalmente, estar contigo de novo, e então beijar-te e abraçar-te e dar-me a ti, e não muito tempo depois disso lá estou eu a foder a Sara de novo. E não sei o que me levou a fazê-lo. Serei eu apenas um filho da puta de um cliché que pensa com a pila? Talvez seja isso. Talvez seja tão simples quanto isso. O que eu sei é que depois dessa vez com a Sara apenas uma vez voltei a falar com ela; na realidade eu desapareci por completo, e eu sei que não muito tempo depois de termos colocado no facebook que estávamos numa relação, ela eliminou-me dos 'amigos'. Talvez um ou dois anos depois disso enviei-lhe uma mensagem no Google chat, a pedir-lhe desculpa, mas apenas me deu uma resposta seca, eu não podia esperar muito mais que isso. Lembro-me que mais tarde encontrei-a na minha rua, ela olhou para mim como se eu fosse um verme - não estava longe da verdade. Intuo que ela me odeie, e justamente. Assim como tu provavelmente me odeias. É isso que se sente por quem nos magoa, não é? É isso que se sente por quem nos trai.
Quando revisitei esta histórias o ano passado, e cheguei á parte em que contei a nossa história, houve uma parte de mim que sentiu uma trepidação, e quase me senti tentado a parar. Era como se uma parte de mim soubesse que ao escrever sobre nós, ao lançar estas histórias ao éter, estaria a convidar que uma certa dor invadisse a minha alma. E invadiu, sabes? Doeu-me como não imaginas revisitar tudo aquilo, escrever o que escrevi, abrir o meu coração, escancará-lo, e apenas eu sou culpado pela dor que trouxe de volta. E olha que nesta altura nem imaginava que tu e eu voltaríamos a falar, muito menos a estar juntos de novo. Eu estava tão magoado quando escrevi a nossa história, que depois quando escrevi a adenda da Sara, terminei com esta frase : 'How I wish I had chosen Sara. Not Sofia, Sara.' Isto foi a dor a escrever, a forma como falei de ti e te descrevi foi a dor a falar. Já aqui escrevi que te escolheria sempre, Sofia, independentemente de saber que nunca nada teria sido diferente, e que aquele momento que tivemos se cingiria apenas a esse singular momento do tempo e do espaço. Até ter escrito o post da história da Sara nunca tinha considerado realmente se ela teria sido uma alternativa viável. Eu acho que não, ela tinha razões pessoais para não se querer meter numa relação, coisas a ver com a saúde dela, e ela achava não ter espaço para alguém na vida dela, e eu respeitei isso. Só depois de revisitar essa história é que fiquei com essa ideia. Como teriam sido as coisas se eu tivesse ficado com ela? Supondo que de alguma maneira conseguiríamos conciliar as nossas razões para não querermos ter uma relação, como teria sido a minha vida? Será que teria tudo aquilo com que sonhava? Ou será que em vez de alienar uma pessoa apenas, tinha alienado duas? Não sei. Não obstante o óbvio facto de ter ido foder com ela, sempre soube desde aquele primeiro dia na Gulbenkian que eras a única pessoa para mim. Eu compreendo - e bem - o quão antagónico é dizer que se quer uma pessoa acima de tudo, e á primeira oportunidade fazer merda suficiente para garantir que acabaria com nada. É o meu pecado maior; não há penitência ou expiação suficiente para remover esta nódoa da minha alma.
Se calhar por isso, durante todos este anos, não me senti realmente injustiçado por não teres ficado. Ainda que na altura não soubesses desta história, pesou sempre sobre mim. Por muito que me tenha custado a tua ida e a tua ausência, no meu coração sabia que não era mais que a minha justa recompensa. Eu tive oportunidades - amplas, até - de aprender, e de não fazer merda, mas optei por não fazê-lo. Infelizmente, não quando teria feito realmente uma diferença. Sabes, há muito que me sinto preso num dia escuro que se desenrola em câmara lenta, e parece que estou há anos á espera que esse dia acabe. Não se magoa quem se ama, eu sabia disso, e fi-lo conscientemente. Não se trai quem se ama, e eu fi-lo.
Estamos tão longe um do outro, meu amor, estamos cada vez mais distantes, e em breve haverá uma distância que a vida não unirá mais. O meu coração dói com cada batimento, cada batimento bate com a cadência do teu nome nos meus lábios. Qual Sísifo, eu suportaria toda a dor de novo, toda, para que aquele momento acontecesse. Serias, serás, és sempre a escolha que eu faria.
Daqui a mil anos, o que aconteceu,
Suspirando, estarei contando a ti:
Dois caminhos bifurcavam, e eu-
O menos pisado tomei como meu,
E a diferença está toda aí.
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