sábado, 1 de março de 2025

Há em mim um profano desejo a crescer

Não bebo já há umas três semanas, e não é que de vez em quando não sinta vontade de o fazer, na realidade sinto mais vontade de não beber. Naturalmente que não o fazer deixa-me mais leve mentalmente, torna os meus dias mais ágeis. E admito que não tenho tido um dia mau ultimamente. Tenho tido dias relativamente neutros, e isso já é bom o suficiente. Eu creio que uma vez escrevi aqui que o álcool poderia servir como algo que me desinibiria a escrita, e talvez isso justificasse o vernáculo que aqui uso. Não, faço-o sabendo perfeitamente as palavras que escolho, e faço-o porque acima de tudo não sinto vergonha alguma de o fazer. Não sou escravo de puritanismos, modernos ou antiquados. Se o que eu fiz fui foder, porquê usar outra analogia? Fodi conas, fodi cús, vim-me em caras, vim-me em bocas, e raios, odeio a palavra 'esporra', por isso não a uso. Sempre me fez pensar em tudo e mais alguma coisa menos na substância em si. Então, se fiz isso tudo, qual o propósito de o mascarar com terminologia técnica? Não, foi o que foi feito, fi-lo contigo, adorei fazê-lo, e espero que também o tenhas gostado de fazer. Eu começo por aqui por uma razão específica.
A verdade é que fui para a cama com demasiadas pessoas, e quem me dera que maior parte delas eu não tivesse conhecido sequer. Honestamente, há tantas cujos nomes eu já não me consigo lembrar, há tantas que não são mais do que um borrão nas minhas memórias. Talvez saiba o nome, mas não me lembro bem do rosto, ou já nem me lembro de como foi a noite que passámos. Nada disto me sabe bem, não sabe há muito tempo. Sabes, eu há uma data de tempo para cá que deixei de ver pornografia. Não só porque deixou de me excitar minimamente, mas porque, raios, ver pessoas a foder é tão absolutamente enfadonho. Foder, sim, é bom, mas raios, tenho de ser eu e não uma cena por proxy. O que significa que quando me quero masturbar estou lixado porque tenho de puxar pela memória, e as pessoas que me consigo lembrar em suficiente detalhe, maior parte delas foi sexo mau, e nem sequer quero estar a pensar nelas. Quem ainda me vou lembrando é a Carina, mas porque ela foi a mais recente, e isso foi já em 2017 ou 2018 ou lá o que foi. Mas nem sempre resulta, sabes? Maior parte das vezes eu até dou por mim a perder o interesse em fazer esse esforço. A mesma coisa acontece quando penso na Isabel, ás vezes vai, ás vezes não.
Mas se pensar em ti, maior parte das vezes fico excitado. Na realidade, apenas não fico quando me sinto exausto, e não tenho energia suficiente para nada. É claro que eu penso nisto, e questiono porquê, e analiso. Ás vezes sinto que vejo tudo isto através das lentes da nostalgia. Terá sido mesmo tudo isso, o que tive contigo? Terá sido mesmo assim tão forte? Terei eu mesmo ainda vontade de ti, do teu toque, do teu beijo, do teu corpo, da tua presença? E quando penso a sério nisto... nada o desmente. Nada nunca o desmentiu. 
Olha, o que vou aqui confessar agora, nenhuma alma o sabe. Das minhas ex-namoradas, a única pessoa com quem não gostava mesmo de foder era com a Sónia. Dava demasiado trabalho, não era bom, e havia uma data de coisas na nossa vida sexual que não me excitavam de todo, e como não me excitavam... muito facilmente perdia a tesão e ficava mole, e depois a moça gritava comigo, e chamava-me uma data de nomes super divertidos de ouvir, e eu suspirava, e ficava a pensar comigo mesmo como iria meter a pila dura de novo por tempo o suficiente até que aquele suplício acabasse. Relativamente cedo nessas histórias apercebi-me que se fechasse os olhos e imaginasse que estava a foder contigo, que era a tua cona onde estava a entrar, então era o suficiente para ficar duro de novo. Não podia era abrir os olhos de novo, senão estava tudo fodido. Ou melhor, deixava de estar tudo fodido... houve vezes em que nada me conseguia meter em pé, e nem imaginas o quão engraçadas era as conversas - mais monólogos bastante audíveis, na realidade - que se seguiam.
Eu sei que existe uma percentagem relativamente alta de absurdo quando me masturbo a pensar numa pessoa que passou pela minha vida - seja ela quem for. Mais absurdo ainda é estar a escrever sobre isto, porque se é altamente inverosímil que algures no mundo alguma mulher se masturbe a pensar em mim, garantidamente mulher alguma escreveria sobre mim. É absurdo, eu sei, não há nada em mim que tenha sido memorável o suficiente alguém para pensar em mim sequer, seja em que circunstância for. E no entanto, Sofia, a devoção que senti pelo teu ser quando estivemos juntos foi imensa. Foi infinita. Ainda o é. Eu amava tudo o que eras - do teu corpo á tua alma, da tua voz á tua mente, tudo, tudo. E se dou por mim a divagar sobre o lado sexual da nossa história - ouve, para mim foi mesmo o melhor da minha vida. Mas também foi tudo o resto. Os beijos que dávamos, quando dávamos a mão um ao outro, quando estávamos perto, tão perto um do outro, que eu começava onde tu acabavas. Só contigo isto me fez sentido. E ouve, eu tentei, eu juro que tentei. Procurei algo semelhante á mínima coisa que tive contigo, que senti contigo. Não existe tal coisa. Existiu contigo, nesse infinitamente ínfimo momento a que tivemos direito. 
Repara o seguinte : quando penso em ti, existem dois lados do Gonçalo. Existe o lado sagrado, e existe o lado profano. O lado sagrado, é esse que sentia essa devoção por ti - garantidamente o mais perto do conceito de 'Latria' que conheci. Tu sempre foste luz para mim, e sempre foste o sorriso que sempre vi quando nos encontrávamos de manhã, e sempre foste a esperança que só contigo senti. Eu adorava-te - não te amava só - e a paz que me trazias ao coração. É pensar em momentos que tivemos juntos, que se calhar para ti foram apenas mais um momento, mas que para mim viverão para sempre na minha memória. Olha esta, e embora esteja incerto se não estou a juntar duas memórias numa só - porque pode perfeitamente ter sido algo que aconteceu em múltiplas ocasiões - quando eu fui fazer o meu exame de condução, eu depois fui ter contigo á biblioteca. Quando lá cheguei, enviei-te uma mensagem a dizer que tinha chegado, e passado uns minutos lá estavas tu a sair para vir ter comigo. E tinhas um sorriso tão grande no teu rosto quando me viste, e quando chegaste perto de mim colocaste os teus braços á volta do meu pescoço - eu estava um ou dois degraus abaixo de ti, por causa da diferença que temos em altura - e ainda antes de me beijares, disseste 'dói-me tanto a barriga', e pudesse eu suportar toda essa dor, eu teria feito de bom grado. Eu teria feito tudo por ti. Tudo, tudo.
E o lado profano é este verboso e carnal, em que me lembro de como era estar dentro de ti, de te ter nua á minha frente, e a minha boca a devorar a tua cona. É que nem imaginas o quanto o adorava fazer, sabias tão, tão bem - e eu sei que te dava prazer. Aqui não há lugar a dúvidas, eu sei o que te fiz, e aquilo que me deixavas fazer, e eu sei que te deu muito prazer. E nem poderia ser de outra maneira, tal era a minha devoção por ti. Na minha cabeça isto aconteceu já para o fim da nossa relação, mas também posso estar equivocado; houve uma manhã que fomos á pensão, e quando vínhamos do Conde Redondo para lá, já a subir a rua que lá nos levava, tu disseste-me 'Amor, hoje fodes-me o cúzinho', e eu achei isso tão giro, porque já era o que fazíamos todos os dias. Mas não o tomei como garantido, nunca, porque me lembrei sempre que me disseste no início que era algo que não fazias. Bem, bastou apenas uma vez para se tornar recorrente. É a mais pura das verdades : foste a única pessoa que sempre me deu vontade de foder. Ainda a tenho, caramba. 
Se a tenho. Foda-se, se a tenho. Num mundo ideal, neste momento estávamos a foder como se não houvesse amanhã. Num mundo ideal, a nossa história nunca teria acabado. Num mundo ideal, o lugar ideal é do teu lado. Mas não vivemos num mundo ideal, e tu dormes longe de mim, enquanto eu passo os meus dias a pensar em ti. 

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