Na senda do que escrevi ontem sobre saúde mental e amor próprio, a Sílvia dizia que eu tinha um padrão : sempre que me sentia atacado, ou abandonado, a minha tendência era entrar em modo terra queimada e apagar os meus blogs e a minha pegada digital temporariamente até começar tudo de novo, tabula rasa. E ela tinha razão, nunca o neguei. Fi-lo repetidas vezes, antes e depois. Por isso só deus sabe como ainda tenho publicados os meus vários blogs que restam. Mas dito isto, há muita coisa que perdi - porque nunca, nunca fiz backups de nada do que publiquei - e que hoje em dia sinto algum arrependimento por ter apagado. Houve alguma tentativa interessante de poesia, houve alguns escritos engraçados, algumas estórias giras e outras histórias muito relevantes, algumas das quais não contarei de novo. Mas também houveram playlists perdidas - isto bem antes de as fazer no youtube, não, eram playlists que existiam apenas no Windows Media Player de PCs há muito defuntos. Uma dessas playlists foi construída para ilustrar aquele tempo desde que te foste, até ao momento em que me consegui voltar a sentir como uma pessoa minimamente válida e funcional, e se é verdade que não era terrivelmente extensa, era uma playlist boa o suficiente para a ter tido em telemóveis que não tenho já também há muito tempo, e era uma das minhas várias playlists de idas ao ginásio.
Naturalmente que já não me consigo lembrar de tudo, nem consigo confiar no histórico de visualizações do youtube : há coisas que sei que vi N mil vezes, mas aquilo diz não ter registo algum de eu alguma vez ter procurado por essas músicas. Bah.
Hoje não consigo escrever muito mais, embora me apetecesse. Foi, no entanto, uma semana longuíssima, e estou cansado. Mais uma semana sem beber, se bem que ontem ou anteontem quando fui ás compras dei por mim a pousar os olhos numa garrafa de vinho, e aquele diabinho no meu ombro dizia que era só uma vez sem exemplo, não ia fazer mal algum, mas eu resisti a essa tentação. Não fazê-lo teria significado o início de um loop ao qual eu não quero sucumbir.
Entretanto, dei por mim a tentar ver o que me conseguia lembrar para construir uma playlist que fizesse justiça á que uma vez criei para ti. Talvez esta seja aproximada o suficiente, certamente que lhe faltam aqui músicas que não me conseguirei recordar já. De certo modo, conta uma história, conta a nossa história, embora talvez apenas eu consiga entendê-lo a 100%. Não poderia ter outro nome senão Us.
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