sexta-feira, 7 de março de 2025

As músicas que salvaram a tua vida

Não estou absolutamente certo em que detalhe escrevi isto no outro blog, nem sequer me sinto tentado em reler o que por lá escrevi, pelo menos não de momento, mas durante uma parte desse ano perdido da minha vida, o que me ajudou a manter uma precária mão na minha sanidade foi a música. Nessa altura, ainda tinha o meu disco externo de 1TB cheio de música, maior parte da qual nunca tinha ouvido, tal era o vício de fazer downloads de discografias completas só porque sim, e além disso, estava num grupo de música no facebook onde descobri muita, muita música nova, e ainda que não apreciasse tudo o que ouvia, acabei por conhecer bandas que se tornaram muito importantes para mim. Curiosamente, nesse grupo também conheci uma série de pessoas que me ajudaram imensamente a lidar com tudo : a Carla e a Isabel, ambas do Porto, ambas amicíssimas até não serem mais amigas. O desastre escocês também veio daí. A Joana, a belíssima Joana, que um ano depois se encontrou numa situação semelhante á minha, e eu fui a única pessoa que lhe deu a mão, falava com ela todos os dias, consegui-lhe arranjar um emprego, e mantivemos uma relação de amizade durante muito tempo. É curioso que vocês sendo muito diferentes uma da outra, também eram incrivelmente parecidas. As vossas histórias de vida eram semelhantes em certas coisas, também ela viveu nos states. Olha, por falar nisso, lembras-te de andares louca por encontrares Swedish Fish? Uma data de anos depois de termos estado juntos, vi-os á venda algures, e finalmente descobri o que eram. E, é claro, a minha mente voltou a todas as vezes que fomos aquela lojita na João XXI á procura de gulodices. Também a Sílvia H. conheci nesse grupo. Acredita que começar o dia a conhecer algo novo deixava-me sempre um pouquinho mais animado, embora esse efeito depois não se prolongasse no tempo. Era um placebo, na realidade, que mais cedo ou mais tarde o corpo se acaba por habituar e deixa de ter efeito.
Na senda do que escrevi ontem sobre saúde mental e amor próprio, a Sílvia dizia que eu tinha um padrão : sempre que me sentia atacado, ou abandonado, a minha tendência era entrar em modo terra queimada e apagar os meus blogs e a minha pegada digital temporariamente até começar tudo de novo, tabula rasa. E ela tinha razão, nunca o neguei. Fi-lo repetidas vezes, antes e depois. Por isso só deus sabe como ainda tenho publicados os meus vários blogs que restam. Mas dito isto, há muita coisa que perdi - porque nunca, nunca fiz backups de nada do que publiquei - e que hoje em dia sinto algum arrependimento por ter apagado. Houve alguma tentativa interessante de poesia, houve alguns escritos engraçados, algumas estórias giras e outras histórias muito relevantes, algumas das quais não contarei de novo. Mas também houveram playlists perdidas - isto bem antes de as fazer no youtube, não, eram playlists que existiam apenas no Windows Media Player de PCs há muito defuntos. Uma dessas playlists foi construída para ilustrar aquele tempo desde que te foste, até ao momento em que me consegui voltar a sentir como uma pessoa minimamente válida e funcional, e se é verdade que não era terrivelmente extensa, era uma playlist boa o suficiente para a ter tido em telemóveis que não tenho já também há muito tempo, e era uma das minhas várias playlists de idas ao ginásio.
Naturalmente que já não me consigo lembrar de tudo, nem consigo confiar no histórico de visualizações do youtube : há coisas que sei que vi N mil vezes, mas aquilo diz não ter registo algum de eu alguma vez ter procurado por essas músicas. Bah.
Hoje não consigo escrever muito mais, embora me apetecesse. Foi, no entanto, uma semana longuíssima, e estou cansado. Mais uma semana sem beber, se bem que ontem ou anteontem quando fui ás compras dei por mim a pousar os olhos numa garrafa de vinho, e aquele diabinho no meu ombro dizia que era só uma vez sem exemplo, não ia fazer mal algum, mas eu resisti a essa tentação. Não fazê-lo teria significado o início de um loop ao qual eu não quero sucumbir. 
Entretanto, dei por mim a tentar ver o que me conseguia lembrar para construir uma playlist que fizesse justiça á que uma vez criei para ti. Talvez esta seja aproximada o suficiente, certamente que lhe faltam aqui músicas que não me conseguirei recordar já. De certo modo, conta uma história, conta a nossa história, embora talvez apenas eu consiga entendê-lo a 100%. Não poderia ter outro nome senão Us.

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