sexta-feira, 4 de abril de 2025

Como escavar um abismo

Tive um sonho contigo. Passava-se no futuro, num futuro não muito distante. Talvez uns 3 ou 4 anos no futuro. Já não falávamos... bem, já não falávamos desde a última vez que falámos. Enviei-te uma mensagem que dizia : 'Posso mostrar-te uma coisa?', não sabendo sequer se ias ler, quanto mais responder. Passados uns minutos respondes-me com um 'Sim', um curto e simples 'sim'. Logo de seguida envio-te uma imagem : sou eu, com uma criança ao colo, que teria uns dois anos ou perto disso. Eu estou diferente, mais velho, mais linhas nos rostos. Magro. Não, mais que isso... seco. Não sei onde foi tirada a fotografia, mas foi algures onde neva intensamente : tudo á nossa volta está coberto por um manto alvo. 
Escrevo na mensagem que tem a imagem, que a menina que está ao meu colo é a minha filha, e que ela me salvou a vida. Tu respondes com um smiley e perguntas como se chama ela. E eu disse-te que lhe dei o nome da pessoa que mais amei em toda a minha vida. Disse-te que se chamava Sophie. Respondeste-me novamente com um smiley, e não voltámos mais a falar.
Acordo de madrugada, ouço a chuva a cair lá fora. Está frio, e aconhego-me um pouco mais. Ouço ao longe o distante ruído de um trovão, mas não dei por nenhum relâmpago iluminar os céus. Não consigo voltar a dormir, e isso irrita-me. Sinto-me cansado, mas não consigo ficar na cama. Apetece-me falar contigo. Pego no telemóvel e quase cedo. Quase te mando uma mensagem. Quase te conto esta história. Dou por mim a abanar a cabeça, a negar esse gesto a mim mesmo. Não posso. És feliz sem mim, sem a minha presença na tua vida. Já me ensinei a não querer tanta coisa. Tanta mesmo. Mas não consigo ensinar-me a não pensar em ti. A não amar-te. E deveria ser fácil, não é? Se tu o conseguiste, porque não eu? É fácil, não é? Tão fácil quanto pedir ao sol para não queimar. É fácil.

Sem comentários:

Enviar um comentário